Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Assim numa de Psicóloga, 'tájabêr? #2

por Quadrada, Sexta-feira, 18.03.11

Normalmente, costumo dar conselhos no que toca a fins de relações: superação da tristeza, ultrapassar obstáculos no que toca a um equilíbrio emocional, eventual recuperação da relação, esquecer a outra pessoa no caso de impossibilidade de retorno ou se for melhor assim, entre outros aspectos de carácter semelhante. Hoje escrevo para outro grupo de mulheres (perdoem-me os homens, agora, embora esteja receptiva às vossas opiniões!): as mulheres que querem mudar a relação que têm.

A meu ver (essencialmente, segundo o que observo e as minhas próprias vivências), a maioria das mulheres sente-se insatisfeita no que toca a três aspectos gerais: falta de romantismo, falta de atenção e o sentimento de que se dá mais do que se recebe. No início, tudo é muito lindo e maravilhoso. Parece que estamos em constante lua-de-mel, quase não discutimos, há concordância quase absoluta na maioria das coisas, é só sorrisinhos, palavras bonitas e surpresas a meio da semana. O pior é quando uma certa estabilidade (e também algum hábito) se instala e essas coisas, aos poucos, vão escasseando ou até mesmo desaparecendo, e é aqui que começa a luta das mulheres na tentativa de "moldarem" os seus homens e, de certa forma, "educá-los", de modo a serem, agirem e até mesmo sentirem como elas querem, gostariam ou precisam. Assim por miúdos, o que nós queremos é domesticar a gajada toda.

 

Nesta tentativa (frustrada, já passo a explicar porquê) de tornar os homens iguais ou muito semelhantes ao ser que idealizámos nas nossas cabeças, nós, mulheres, fazemos coisas que variam entre extremos, consoante o ponto da situação e o grau de paciência em que estamos: começamos pela primeira atitude extremista, que consiste em tratá-los como criancinhas e, pior, como mulheres (não que as mulheres sejam criancinhas, mas adiante): sentamo-nos com eles e, com calma, falamos sobre o que achamos que está mal na relação, apresentamos-lhes um conjunto de situações que existiam antigamente e que agora são escassas ou mesmo inexistentes, até os aconselhamos no sentido de fazerem a, b ou c para nos agradarem. Quando digo que isto é tratá-los como criancinhas, refiro-me ao facto de nos sentarmos a falar com eles como se estivessemos a ensinar a tabuada aos meninos da escola primária. E comparei esta atitude a tratá-los como se fossem mulheres porque, efectivamente, era assim que gostaríamos que eles resolvessem os problemas que têm connosco. Acontece que, com esta tentativa, podem acontecer duas coisas: 1) eles começam a fazer pequenas coisas que dissemos que gostavamos que fizessem e nos sabe mais a coisas por obrigação do que por vontade própria; ou 2) continua tudo como estava.

Quando nos apercebemos que a coisa não resultou lá muito bem, partimos para a outra atitude extremista que, muito resumidamente, consiste em destruir tudo o que está à nossa volta, começando pelas porcelanas e acabando nos dentes do nosso parceiro. Bom, se calhar não somos tão extremistas assim...mas partiremos quase inevitavelmente para o drama: choradeira a toda a hora, estado depressivo, perguntas tipo "porquê eu????"; começamos a achar que ele talvez nem nos ame tanto assim; damos por nós a comparar o nosso parceiro a todos os outros namorados existentes no mundo e ele sai sempre a perder; parece-nos que toda a gente tem uma relação óptima, menos nós; sentimo-nos uns panos de chão ou, quiçá, uns piaçabas sempre a chafurdar na m*rda que os outros fazem. Assim sendo, a relação que podia não ser perfeita, mas até era boazinha, passa a ser insuportável - por culpa deles, que muitas vezes se revelam egoístas e não querem saber de nós para nada, desde que tenham a papinha toda feita; e por culpa nossa, que insistimos em mudá-los em vez de arregaçarmos as mangas, tomarmos uma atitude, fazermos um ultimato a eles e a nós mesmas e mostrarmos, afinal de contas, de que fibra somos feitas.

As discussões aqui serão em maior número, devido a dois aspectos: 1) sentimo-nos impotentes, pouco importantes, pouco especiais e, consequentemente, a nossa auto-estima é fortemente afectada; 2) chegamos à conclusão de que estamos com um homem que, para além de não ter o mínimo interesse por nós, também jamais terá (embora isto não seja necessariamente verdade...mas adiante).

 

Para já, há um problema que acho importante apontar: em grande parte dos casos, estamos a gastar energia com as pessoas erradas. Não adianta tentar mudar o que os outros são, em virtude dos sentimentos que sentimos pelas pessoas no momento, se depois jamais conseguiremos ter uma relação que esteja em concordância com os nossos objectivos e o nosso modo de vida. Há pessoas que, simplesmente, não são as certas para nós e há que saber ver quando assim é. Não podemos deixar que os nossos sentimentos nos ceguem - há que apelar à racionalidade para conseguirmos ter o que realmente esperamos e queremos num relacionamento.

Há duas possíveis atitudes a tomar: ou deixamos que a nossa vida seja levada e conduzida pelo que a outra pessoa quer e como ela acha que as coisas devem ser, anulando os nossos quereres e vontades e até aspectos da nossa personalidade só para não perder quem está connosco; ou então definimos o que queremos para nós e vamos em busca dessas coisas sem nos desviarmos do nosso caminho - e, aí, as pessoas ou querem e está tudo bem, ou não querem e vão c'os porcos, como eu costumo dizer.

A verdade é que a maioria das mulheres se enquadra no primeiro caso, mas as mulheres mais satisfeitas e felizes estão no segundo. Isto não significa que estas mulheres não sofram ou que sejam inflexíveis - nada de extremismos, já sabem. Mas a verdade é que são pessoas determinadas que não deixam que as falhas dos homens com quem estão passem a ser problemas delas ou culpa delas. A realidade é: o problema está neles. Nós queremos x, eles dão y. O problema está neles, que não dão x. E em nós, que não queremos y. Mas nós só temos que nos preocupar com o facto de querermos x, e não com a parte de eles só darem y. Se as coisas funcionam, tudo muito certo. Quando deixam de funcionar, é adeus-ou-vai-te-embora.


Li não sei onde que jamais seremos felizes numa relação se não soubermos ser felizes fora dela. Um homem deve ser um complemento para a nossa felicidade, uma razão de sermos felizes, mas não o único motivo da nossa vida, a única razão da nossa alegria. E porquê? Para já, porque isso não é vida para ninguém. É viver no mundo de outrém e não no nosso próprio mundo. E depois porque nada na vida é garantido e as relações não são excepção. Então e se a coisa der para o torto? E se a relação acabar? Se não tivermos outras coisas que nos dêem felicidade e ele for o centro da nossa vida, então estamos tramadas porque, ou entramos em depressão, ou nos tornamos numas neurasténicas parasitas sem qualquer contributo para a sociedade ou sequer para nós mesmas, ou então suicidamo-nos. E nenhum dos três cenários me parece apelativo.

 

A verdade pura, nua e crua é que não adianta tentar mudar ninguém. As pessoas são como são e, caso haja alguma mudança, deve apenas partir delas próprias. Só assim a mudança poderá ser positiva e duradoura, pois não estará a ser feita apenas para satisfazer a vontade de outrém.

Devemos sempre agir de acordo com o que desejamos e queremos para nós e cabe à outra pessoa decidir se quer acompanhar-nos nisso ou não, de acordo com o que acha ser melhor para ela. Se acompanhar, em princípio será a pessoa certa. E, nesse caso, convém haver cedências de parte a parte de maneira a haver um equilíbrio na relação. Se não acompanhar...olha, temos pena!

Autoria e outros dados (tags, etc)

4 comentários

De Margarida a 18.03.2011 às 12:22

Mas que bem que me fez este texto hoje... é que veio mesmo a calhar!

De Quadrada a 18.03.2011 às 14:12

ainda bem!

De Ana Filipa a 18.03.2011 às 12:24

concordo com tudo o que dizes rapariga, só não concordo é o fundo que puseste porque há partes que n dá para ler mto bem :x

De Quadrada a 18.03.2011 às 14:12

eu nao percebo o que se passa com o raio do fundo. as vezes aparece-me so as flores, outras vezes aparece-me um fundo branco..nao percebo nada disto!

Comentar post