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Essa coisa complicada que é uma relação.

por Quadrada, Quinta-feira, 03.11.11

Os ciúmes numa relação são sempre uma coisa chata a partir de certo ponto. No entanto, acho-os essenciais e, sinceramente, preocupa-me é quando não os há. Sempre me fez um bocadinho de confusão quando ouço dizer que na relação de A com B não há ciúmes nenhuns, porque quem gosta sente ciúmes, nem que seja só um bocadinho...certo? E isso não é necessariamente sinal de falta de confiança. Vejo o ciúme não de uma forma possessiva, mas sim como o medo de perder alguém de quem gostamos muito. E isso é bom.

 

No entanto, há que saber dosear os ciúmes. Temos que saber ser racionais e não nos deixar cegar por eles, porque são coisa muito enganadora, digo-vos já. E a tal coisa do "nem tudo o que parece é" aplica-se bem aqui. Há que ter esse cuidado, porque é a partir dessas pequenas coisas que se cometem os maiores erros dos quais nos podemos vir a arrepender um dia mais tarde.

 

Indo direita à questão, para haver ciúme, geralmente, tem de haver outra(s) pessoa(s) no meio da história. Não necessariamente pelo facto de termos sido traídos, porque muitas vezes esses ciúmes até são completamente infundados e baseados em filmes que nós próprios fazemos na nossa cabeça. Mas existe certamente alguém por quem criámos uma certa antipatia ou alguma insegurança, nem que seja por uma coisa pequenina.

 

Agora pensemos no seguinte: efectivamente, existe alguém interessado na pessoa com quem estamos. Não necessariamente para namorar, mas todos sabemos que, hoje em dia, raras são as pessoas que se preocupam se o outro namora. Querem dar umas voltas e o resto é conversa. Mas continuando...essa terceira pessoa está claramente interessada. Cabe ao nosso par saber dosear a confiança que lhe dá e manter uma certa distância, sem deixar necessariamente de comunicar com a pessoa em questão. Até aqui, tudo muito certo.

Mas imaginemos que a coisa passa para o telemóvel. O(a) dito(a) cujo(a) envia mensagens ao nosso par, mesmo que só de mês a mês, e numa das vezes em que vamos (erradamente) vasculhar o telemóvel da pessoa com quem estamos, deparamo-nos com tais mensagens que, mesmo não tendo um conteúdo comprometedor, não nos agradam e deixam-nos com a pulga atrás da orelha.


Imaginada esta situação, vamos analisá-la ao pormenor:

Primeiro que tudo, perdemos grande parte da razão quando vamos vasculhar o telemóvel/gavetas/etc do nosso par. Além de ser errado, é prova de falta de confiança não só no outro, como em nós mesmos. E torna-se mais errado ainda quando somos o tipo de pessoas que grita, berra e esfola se nos mexem no nosso telemóvel. Esta é logo a primeira.

 

Segundo, é de extrema burrice ir ver a caixa das mensagens recebidas, em vez das enviadas. Podemos saber que os nossos ciúmes nos estão a cegar quando arranjamos discussão por causa de mensagens que a pessoa recebeu mas, no entanto, nem vimos sequer que mensagens foram enviadas (ou sequer SE foram enviadas, porque o facto de recebermos uma mensagem não implica que lhe respondamos). A pessoa tem culpa, sim, se enviar uma mensagem comprometedora ou errada vinda de quem namora. Mas se a recebe, que culpa tem?

 

Ninguém pode escolher quando outra pessoa se interessa por nós. Especialmente quando esse interesse é meramente físico, dado que nem é preciso fazermos nada de especial ou estarmos com essa pessoa muitas vezes para esse interesse surgir. Essas coisas são muito mecânicas e, às vezes, sentimo-nos atraídos por pessoas com quem estivemos apenas uma ou duas vezes, coisa que é suficiente para despertar curiosidade.

 

Terceiro, podemos argumentar pela vertente do número. Ou seja, se já trocaram contactos, é porque queriam manter-se em comunicação, certo? Certo. MAS, e se na realidade não trocaram nada? Quantas vezes recebemos mensagens de números que não conhecemos, vindas de pessoas que simplesmente pediram o nosso contacto a alguém? Portanto, isto só leva a uma conclusão: há que ser racional e não tirar conclusões precipitadas.

 

Quarto, não podemos ter palas à frente dos olhos. Isto significa que, muitas vezes, pomos na cabeça que foi A que aconteceu, quando na verdade foi B, mas estamos tão entalados nas nossas ideias que nem deixamos entrar mais nada nos nossos ouvidos. Tudo nos passa a parecer mentira ou invenção. Treta.

 

Quinto, se há coisa que eu detesto é quando alguém vai ajustar contas com uma pessoa que se mete com o nosso par. Detestava quando o Babe fazia isso e queria ir falar com A, B ou C porque, na minha cabeça, eram paranóias dele e depois eu é que ia ficar mal vista. E até é capaz de ser um bocado assim, mas a verdade é que num caso destes em que ficamos incomodados por mensagens recebidas e não enviadas, então porque é que não vamos falar com quem as enviou? Especialmente se achamos que são abusivas.

 

Por exemplo, há uns tempos uma amiga minha conheceu um rapaz no autocarro. Todos os dias apanhavam-no à mesma hora e uma vez surgiu uma conversa banal, daquelas que se têm com a pessoa que se senta ao nosso lado numa viagem. Um dia, ele pediu-lhe o número de telefone e ela sentiu-se mal para dizer que não. Então deu-lho, sem qualquer segunda intenção. Nem sequer o achava bonito ou particularmente atraente.

Acontece que ele abusou. Enviava-lhe mensagens a toda a hora, às vezes ligava-lhe e ela chegava a sentir-se incomodada, mas custava-lhe ser rude com ele, ao mesmo tempo. Um dia, o namorado dela apanhou algumas mensagens desse rapaz no telemóvel dela, bem como os constantes telefonemas. Passou-se da cabeça, como é óbvio, porque sentiu que havia interesse da parte dele e que começava a ser um abuso.

Não sei se discutiu com a namorada ou não, provavelmente sim. Eu no lugar dele também discutiria, por uma questão de mostrar o meu descontentamento e deixar clara a minha posição perante isso. Mas, para além disso, agarrou no telemóvel, ligou ao tipo em questão e disse-lhe "Olha, eu sou o namorado de Fulana e reparei que te andas a fazer a ela. Portanto, ou páras com essa merda, ou temos problemas".

Ela passou-se com ele, claro. Achou errada a forma que ele usou para resolver a situação, mas a verdade é que esta é a forma certa. Embora incomode, é a forma justa de lidar com isto, porque afinal de contas quem estava a abusar era ele e não ela. Logo, era com ele que a conversa tinha que ser tida. E o certo é que, a partir daí, nunca mais houve mensagens ou telefonemas e, aliás, o rapaz passou a dizer apenas "bom dia" e "boa tarde" e já nem a chateia no autocarro.

 

Se é chato? Opá, é. Mas é justo e é o correcto, em vez de se estarem a criar problemas desnecessários com as pessoas com quem estamos, especialmente quando isso é a vontade de terceiros. Assim, não só deixamos clara a nossa posição, como impomos respeito perante o(a) outro(a) e revelamos uma relação sólida e saudável com o nosso par.


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6 comentários

De Fábio Raposo a 03.11.2011 às 20:00

Relativamente a este post não há nada que eu possa acrescentar, está tudo dito. Ás vezes é preciso dizer umas verdades a algumas pessoas, tanto é que, no caso que tu apresentas-te, a coisa parou logo.

De Quadrada a 03.11.2011 às 20:18

Claro que ela também podia não ter dado o número e afins...há montes de pontas onde pegar. Mas nem sempre fazemos isso com segundas intenções. Às vezes é só não querer ser rude ou mal educado(a), sei lá...

Eu também me passava com o meu namorado se visse mensagens estranhas no telemóvel dele. Reagia mal de início, mas depois tomava uma atitude, e ouviria a versão dele. Porque nenhuma história pode considerar-se verdadeira até se ouvirem duas versões.

E, acredita, se eu me andasse a meter com um tipo e a namorada dele me chegasse a roupa ao pêlo, garanto-te que parava. Toda a gente pára, a não ser que sejam pessoas genuinamente estúpidas. Mas, nesse caso, um murro costuma resolver.

De Fábio Raposo a 03.11.2011 às 21:26

Há que saber dizer logo não ao inicio, há varias maneiras de o fazer, sem magoar o "pedinte".

Sim, claro, a primeira reacção é o choque, ferve-se, mas antes de tomar medidas "drásticas" à que ter uma conversa, porque como tu dizes e muito bem, todas as historias têm duas versões (até há algumas que têm mais, mas não vamos entrar por ai), compete-nos decidir em qual acreditar, claro que tendemos em cair para o lado dos nossos.

Há sempre aquelas pessoas com quem não vale a pena falar, e a primeira coisa a fazer é mesmo chegar-lhes com a roupa ao pêlo... mas isso são casos raros.

De Quadrada a 03.11.2011 às 21:27

Sim, parte-se do princípio que a pessoa pára logo. Mas também compreendo o lado do(a) namorado(a), uma pessoa fica sempre incomodada.

De Fábio Raposo a 03.11.2011 às 21:34

Sim, claro, afinal de contas estão a meter-se em "locais" alheios... enfim, há pessoas que não respeitam as relações dos outros, umas fazem-no sem intenção mas acabam por abusar da confiança que lhes é dada, e outras, tentam estragar as relações dos outros mesmo só porque sim... pessoas da treta, e digo isto para não escrever palavrões aqui.

De Quadrada a 03.11.2011 às 21:47

Sim...mas nem sempre a culpa é só da outra parte. Há casos e casos.

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