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11. Carta para alguém que faleceu e com quem gostasses de falar

por Quadrada, Terça-feira, 29.01.13


Olá, avô. Vês-me bem daí? Já lá vão 12 anos, mas ainda me conheces, não conheces? A mãe diz que eu continuo com a mesma cara, então acho que sim.

Pela altura do Natal vi o vídeo do casamento dos meus pais e apareceste lá. Doeu muito perceber que já não me lembrava da tua voz mas a tua imagem era exactamente como me recordava dela. Aquela figura pequenina de nariz arredondado, o jeitinho maroto, os olhos doces, o sorriso animado...e não me deu vontade de chorar. Na verdade só quis sorrir.

Aliás, vendo bem, sorrio sempre que falo de ti. E acredita que falo muitas vezes, porque me fazes falta e porque sempre me foste muito querido. Mas ainda bem que não choro e que as boas recordações são superiores às saudades. Mesmo que elas moam e cortem como facas.

Provavelmente ainda te lembras daquela pirralhinha que imitava as cantoras à frente da televisão e que punha o xaile da avó aos ombros para parecer uma fadista de gema. Suponho que deves estar contente por ver que essa pirralhinha está hoje em estúdio e nos palcos. Sempre que isso acontece lembro-me de ti e do quanto ficarias orgulhoso de mim se me pudesses ver. E até acredito que vejas.

Tenho muitas saudades tuas e há 12 anos que me custa que não possas ir buscar-me à escola como fazias sempre. Toma conta de nós. Amo-te muito.

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