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14. Carta para alguém de quem foste afastada

por Quadrada, Sábado, 16.02.13



Querida Maria,

 

Já não é a primeira carta que te escrevo aqui. Algures neste blog deve estar o primeiro texto que te dediquei, numa altura em que as coisas estavam ligeiramente diferentes daquilo que estão agora. Acho que é normal; o tempo passa, as pessoas crescem e, consequentemente, as coisas mudam. Mas se há coisa que nunca mudou é o facto de falar sempre em ti. Não são poucas as vezes em que me lembro de ti, da nossa infância, daquele ano de uma amizade realmente sincera e que teve que acabar quando te foste embora.

Foi horrível para mim ter de aceitar a ideia de voltares para Lisboa, mas tornou-se mais fácil pelo facto de me ter convencido que virias cá várias vezes e que poderia ir lá ter contigo de vez em quando. Mas não. Depois disso só te vi uma vez e a verdade é que já não foi a mesma coisa. As saudades estavam lá, ainda estão e aposto que estarão sempre, mas a magia estava esvaída. Talvez a inocência dos nossos 10 anos fosse o ingrediente chave para os nossos olhos brilharem sempre que nos víamos.

Mas, fosse como fosse, não houve um único ano nesta última década que não me lembrasse de ti. Eras a minha companheira de infância, tinhas tudo a ver comigo e a nossa amizade sabia-me a algo mágico. Já lá vão praticamente 11 anos e todos os 4 de Janeiro são passados comigo a lembrar-me que tens mais um ano de vida. Às vezes pergunto-me como estás, o que terá acontecido na tua vida, que coisas realizaste...mas, por estranho que pareça, ainda te imagino como eras no dia em que te foste embora: cabelo castanho comprido, olhos grandes e brilhantes, sorriso aberto e aquela camisola branca com as assinaturas de toda a gente. Só que a verdade é que já não tens 10 anos, tens 21. Já és uma mulher adulta, provavelmente namoras há algum tempo, ou até já estás para casar como muitas outras amigas minhas. Deves estar a acabar o curso, se é que te candidataste à Universidade, ou então estás a trabalhar nalgum lado. É, pode ter acontecido muita coisa...e tenho mesmo pena de não ter forma nenhuma de te contactar porque, acredita, sabia-me pela vida retomarmos as coisas onde elas pararam, nem que fosse para podermos ser outra vez aquelas duas meninas que ouviam as Atomic Kitten depois da escola e comiam pão com manteiga de amendoim como se não houvesse amanhã.

Espero que estejas bem e que um dia possamos reencontrar-nos por obra do destino.

Um beijo enorme!

 

Joana

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2 comentários

De Catarina Watson. a 16.02.2013 às 11:20

Acho que toda a gente já "perdeu" alguém. Ainda assim gostei muito mesmo da forma como descreveste tudo aquilo que sentiste. Muito bem escrito !

De Quadrada a 16.02.2013 às 14:37

Muito obrigada :)

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