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Devia ser noite de estudo cá em casa...

por Quadrada, Quinta-feira, 31.03.11

...mas está a ser noite de cantoria:

 

 

 

Marisa, nós somos tão deprimentes.

 

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Dia 7- Um hábito que adoravas não ter

por Quadrada, Quinta-feira, 31.03.11

 

É necessário dizer mais alguma coisa?

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Desafio

por Quadrada, Quinta-feira, 31.03.11

Eu sei que não coloquei aqui o que era referente ao dia 30 e a hoje, 31.

Prosseguirei com ambos.

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Vida em Coimbra

por Quadrada, Quinta-feira, 31.03.11

Existe uma família pobre em Coimbra (uma de muitas!) que costuma passar os dias nas escadas da Sé Velha, faça chuva ou faça sol. Habitualmente, o meu caminho de casa para a faculdade (e da faculdade para casa) obriga-me a passar por lá e todo o santo dia os vejo.

Salvo erro, a família é constituída por um casal adulto e duas crianças, uma bebé ainda de colo e um menino que deve ter à volta de 4 aninhos. Os pais são amorosos. Nota-se que há sentimento entre eles, apesar das dificuldades. Geralmente, as crianças estão a dormir encostadas à mãe e o pai abraça-se a ela e dá-lhe beijinhos no rosto. Por diversas vezes assisti a este cenário e não pude deixar de sentir compaixão por esta família que é tão pobre que tem que estar a pedir nas ruas, e que ao mesmo tempo é tão rica em amor (bem mais rica que muitos abastados em ouro!).

 

Esta tarde, vinha eu da faculdade e lá estavam eles. Desta vez, o pai não estava lá (desconheço o motivo). A mãe estava sentada nas escadas da Sé Velha, com a filha bebé ao colo, tentando protegê-la do calor abrasador que estava hoje. O rapazinho, tão pequenino, dirigiu-se a uns rapazes que passavam e estendeu a mão, pedindo esmola. Eles limitaram-se a abanar a cabeça e continuaram, indiferentes àquele cenário. Então a mãe chamou-o e o menino, cabisbaixo, dirigiu-se para os braços dela, muito triste.

Perante isto, não resisti. Peguei numa moeda de um euro e fui ter com ele.

- Toma, pequenino. Para ti.

O menino fitou-me com uns olhos tão tristes e soltou um "obrigado" quase em forma de súplica. A mãe apressou-se a agradecer-me e, com a pressa com que o fez, pareceu-me que não há muita gente a parar por ali para ajudá-los. A questão é que se tratam de crianças sem o que comer, sem uma cama quentinha onde dormir, sem um copo de leite antes de deitar ou uma taça de cereais para o pequeno-almoço. São crianças que não têm brinquedos, que talvez nem saibam o que é brincar, que não vão à escola e jamais conheceram os mimos do "Pai Natal". São crianças e as crianças são pequenos anjos, não importa quão reguilas possam ser. Todas deviam ter direito aos mínimos no que toca a condições de vida.

 

Além disso, tenho dois irmãos que são as luzes dos meus olhos e Deus me livre de os ver passar por isto sem que alguém os ajudasse. A nossa família não é rica nem nunca foi, mas pelo menos tivemos a sorte e a alegria de poder comer bem, de ter uma casa, de ir à escola, de brincar, estudar e sermos felizes. A minha vontade, ao olhar para aqueles meninos, foi vir a correr para casa, empacotar tudo o que tenho no frigorífico e levar-lhes. Nem vos passa pela cabeça o aperto que senti no coração, quando os olhos tristes daquele rapazinho me mostraram uma vida ainda tão curta, mas já tão longa. Porque a verdade é que, quando não temos nada, o tempo multiplica-se e um dia já são cem anos.

 

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