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Mindfuck

por Quadrada, Terça-feira, 15.01.13

Tinha decidido que não me ia pronunciar acerca da minha história com o Príncipe porque isso implicava falar de outras pessoas e outros acontecimentos que não quero mencionar, dado que já não fazem parte da minha vida...no entanto, vou ter que o fazer para vocês conseguirem perceber este post.

Eu e o Príncipe conhecemo-nos num projecto da Universidade de Coimbra quando ainda éramos estudantes do Secundário, que consistia em levar pessoal do 10º ao 12º a ter uma pequena experiência do que seria a vida académica na UC. Já nos conhecíamos de vista, uma vez que andávamos os dois na mesma escola, mas nunca tínhamos falado muito. No entanto, dado que havia pouca gente da nossa escola naquela semana em Coimbra, optámos por andar todos juntos e, naturalmente, acabámos por ficar todos amigos.

Com o tempo fomo-nos aproximando, sempre na base da amizade, e confesso que nunca o tinha visto de outra maneira. No entanto, devido a estarmos a passar por situações parecidas das quais não interessa falar, acabámos por ficar cada vez mais próximos. Conversávamos muito, contávamos tudo um ao outro, trocávamos conselhos...até que, com o tempo, aconteceu beijarmo-nos. Uma vez, duas vezes, três vezes...e a coisa foi continuando, até que decidimos começar a namorar.

Se gostava dele? Sim, até gostava. Claramente não da mesma forma que ele gostava de mim e não com a mesma intensidade, especialmente porque tinha a cabeça noutro lado. Mas sim, até gostava. À minha maneira. De uma forma egoísta, pouco carinhosa e algo fria, mas acho que era a única coisa que conseguia dar-lhe naquela altura.

O namoro não durou muito. Foram só dois meses. Dois meses em que fui feliz e em que ele achava que era feliz. Achava, só. Mas não era, pelo simples facto de gostar mais de mim do que dele próprio. Como tal, fechava os olhos a toda a porcaria que eu lhe fazia (que não era assim tão pouca quanto isso) porque a única coisa que queria era ficar comigo. Acreditava que um dia eu ia mudar, que ia conseguir fazer com que eu gostasse tanto dele como ele de mim...mas eu sabia que não ia mudar. Tinha a certeza que o meu futuro não passava por ali e que, ainda que gostasse dele, faltava qualquer coisa. Ele era demasiado fácil, e essa facilidade com que conseguia tê-lo era o que fazia com que parecesse menos interessante aos meus olhos.

Não foi de admirar que, depois de dois meses a ser tudo menos boa namorada, as coisas acabassem. E desengane-se quem pensa que ele se cansou e que pôs um ponto final àquela relação - não foi nada disso. O que aconteceu foi que me deparei com um momento em que tive que escolher entre dois caminhos. Um deles era ficar com o Príncipe...mas eu escolhi o outro. Estupidamente, ou se calhar não...porque a verdade é que não sabemos o resultado das coisas se não as tentarmos e há alturas em que só abrimos os olhos para a realidade quando batemos com a cabeça no fundo do poço. Foi isso que me aconteceu e sinceramente não me arrependo, porque tenho noção que foi isso que permitiu que hoje possa falar-vos dele da forma que falo, que ele não seja tão fácil como antes, que os meus sentimentos em relação a ele tenham crescido a olhos vistos, e que a nossa relação seja esta coisa deliciosa com que vocês certamente já se depararam se leram pelo menos metade dos posts que escrevi desde que reabri o blog.

Mas tudo isto para dizer que estávamos nós a conversar sobre essa época quando decidi vir ao arquivo do Caderno de Pensamentos para ler as coisas que escrevia sobre ele nessa altura. Acontece então que me deparei com este texto. Lembro-me perfeitamente de escrevê-lo para o Príncipe e de lhe ter dito essa tal frase do "Vão haver sempre mil razões para te dizer que não te quero, mas jamais será por não te querer". Coisa que se verificou, dado que quando acabei com ele disse-lhe que não o queria (e disse-lho mais umas quantas vezes depois disso), e em nenhuma dessas vezes estava a ser sincera. Eu queria-o, só que queria outra coisa mais do que o queria a ele.

De qualquer modo, fiquei abismada com o texto que descobri porque, sem saber, estava a descrever exactamente aquilo que ia acontecer no futuro (ou seja, agora). Três anos depois, as coisas que escrevi aconteceram. Eu finalmente consigo olhá-lo nos olhos e dizer que quero mesmo ficar com ele, e melhor, isso é a verdade. Ele já não precisa de ter dúvidas, de chorar por minha causa, porque eu estou aqui e não vou embora. Agora é tudo exactamente como naquele texto, e o estranho é que eu não fazia ideia disso quando o escrevi. Aliás, achava com toda a certeza que não ia ter absolutamente mais nada com ele e que jamais ia conseguir sentir aquele "click"...aquele que sinto agora, como se verifica.

Awkward, não é? Awkward estar a escrever isto enquanto ele está aqui ao meu lado a jogar Playstation, bem pertinho de mim, abismado com o tamanho deste texto sem sequer o ter lido ainda. Awkward estar a descrever todas estas coisas enquanto ele me faz festinhas na perna de vez em quando, para me mostrar que está a jogar mas que não se esqueceu de mim. Awkward, mas delicioso, porque quando escrevi aquele post não tinha a menor ideia acerca do que seria o meu futuro. Projectava-o de uma forma completamente diferente, na direcção oposta.

Mas já diz a minha mãe que o que é nosso arranja sempre maneira de voltar a nós, e aqui estou eu a comprovar a teoria. Demorou três anos, mas tudo ficou como devia ficar, está tudo no lugar certo. Se me arrependo de não ter ficado com ele antes? Não, porque não era a altura certa. Ele não era o homem que é hoje, eu não sabia o que sei agora, nada estava feito para ficarmos juntos. Aliás, afastámo-nos tanto que não havia mesmo nada que previsse um final feliz, dado que nem sequer nos falámos durante estes três anos. Lá está, acho que when it's meant to be, it's meant to be. E isto lembra-me uma coisa que ele me disse uma vez, que foi: "Por mais voltas que a vida dê, eu e tu estaremos sempre ligados. Vamos estar sempre juntos, mesmo que tenhamos mundos de distância entre nós". Ainda tenho isso escrito na minha camisola de Finalista. E parece que ele tinha razão, não é? Tanta volta que a vida deu, tanta coisa que aconteceu, tanto entrave que se pôs, e no entanto cá estamos nós, juntos e felizes.

É...parece que tinha mesmo que ser ele. :)

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