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11. Carta para alguém que faleceu e com quem gostasses de falar

por Quadrada, Terça-feira, 29.01.13


Olá, avô. Vês-me bem daí? Já lá vão 12 anos, mas ainda me conheces, não conheces? A mãe diz que eu continuo com a mesma cara, então acho que sim.

Pela altura do Natal vi o vídeo do casamento dos meus pais e apareceste lá. Doeu muito perceber que já não me lembrava da tua voz mas a tua imagem era exactamente como me recordava dela. Aquela figura pequenina de nariz arredondado, o jeitinho maroto, os olhos doces, o sorriso animado...e não me deu vontade de chorar. Na verdade só quis sorrir.

Aliás, vendo bem, sorrio sempre que falo de ti. E acredita que falo muitas vezes, porque me fazes falta e porque sempre me foste muito querido. Mas ainda bem que não choro e que as boas recordações são superiores às saudades. Mesmo que elas moam e cortem como facas.

Provavelmente ainda te lembras daquela pirralhinha que imitava as cantoras à frente da televisão e que punha o xaile da avó aos ombros para parecer uma fadista de gema. Suponho que deves estar contente por ver que essa pirralhinha está hoje em estúdio e nos palcos. Sempre que isso acontece lembro-me de ti e do quanto ficarias orgulhoso de mim se me pudesses ver. E até acredito que vejas.

Tenho muitas saudades tuas e há 12 anos que me custa que não possas ir buscar-me à escola como fazias sempre. Toma conta de nós. Amo-te muito.

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Academia, a quanto obrigas!

por Quadrada, Terça-feira, 29.01.13


Ontem foi um dia particularmente cansativo. Começou às duas da tarde com um exame de duas horas e meia (excluindo o tempo que passei a estudar para ele) que consistiu basicamente em três resmas de folhas com não sei quantas perguntas de desenvolvimento cada uma, o que significa que ao fim de duas horas e meia já me doía tudo e mais alguma coisa. Mas, como disse sabiamente uma colega minha, esta cadeira vai estar sempre na faculdade para nos receber num longo e apertado abraço (sufocante, diria eu).

Como se não bastasse, meia hora depois fui fazer outro exame, mas este já foi mais leve e correu melhor, então estou confiante num bom resultado. Espero mesmo que alguma alminha caridosa me ouça e puxe uns cordelinhos por mim.

Depois de sair da faculdade, fui dar um passeio pela Baixa. Às vezes faz bem termos um bocadinho só para nós. Passei por uma casa de Fados e depois senti-me no meu auge ao dar umas moedinhas a um senhor que costuma estar naquela rua a tocar acordeão. Já o tinha ouvido algumas vezes e, além de achar que ele tem cara de avôzinho simpático, considero que toca bastante bem e embeleza o passeio de quem passa ali. Além de que um bom músico merece respeito, dado que o talento é uma dádiva. Então fiz o meu melhor sorriso e fui dar-lhe umas moedinhas. Sinceramente, podia com toda a certeza ficar a ouvi-lo o resto da tarde.

Ainda dei umas voltinhas pelas lojas e comprei um presentinho ao meu Príncipe Fiquei feliz com essa parte também, mas o melhor foi ficar meia hora ao telefone com a minha mãe. Já não a vejo há quase duas semanas, então ainda não tinha tido oportunidade de conversar a fundo com ela. Até perguntou pelo Príncipe (o jeitosinho, como ela lhe chama) e mandou-lhe uma beijoca. Ao fim do dia falei com o meu pai, que me encheu de mimos virtuais (o que, depois de um dia fatigante como este, soube pela vida).

E por causa destas coisas até fui dormir mais aconchegadinha. Vamos apenas não falar sobre a parte de eu ter que estudar hoje porque tenho mais um exame amanhã.


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