Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Mais uma carta para ele

por Quadrada, Sábado, 16.02.13
Tenho muitas saudades do meu avô. Ele morreu quando eu tinha 8 anos. O meu irmão Rui não se lembra bem, tinha só 5 anos, e o Pedro nem sequer era nascido. Mas eu, que passei toda a minha infância com ele, senti bem a sua perda.

Lembro-me do dia em que ele foi para o Hospital. Eu, o Rui e os meus pais passámos de carro pela ambulância, sem sequer sabermos que era o meu avô que ia lá dentro. Há ironias negras, não há? Quando chegámos, ficámos a saber. Ele tinha caído de uma altura de cerca de quatro metros e estava muito mal.

Passámos dias e dias a ir constantemente ao Hospital, na esperança de o ver melhorar. Nunca me deixaram entrar no quarto. Na altura eu não percebia porquê, agora entendo. Ele provavelmente estava irreconhecível e realmente no fim da vida.

No dia em que ele morreu, eu estava na escola. Não me lembro de quem me contou, do que senti, do que se passou à minha volta. Mas retive uma imagem muito importante: quando o meu pai chegou a casa, eu não disse nada. Simplesmente corri para junto dele, que estava ajoelhado no chão, e abracei-o com muita força.

Não chorei nesse dia. Nem no funeral dele, porque não me deixaram ir. Mas chorei depois, quando o visitei pela primeira vez no cemitério e tive finalmente consciência de que já não ia poder vê-lo mais.

No entanto, sei que ele olha por mim, que me ouve e que me sente. Antigamente, quando estava triste, costumava ir ao cemitério falar com ele, chorar encostada à campa, como se ele estivesse lá para me confortar. Saía de lá a sentir que tinha sido ouvida, e a verdade é que era um hábito que me deixava muito mais tranquila. De vez em quando ainda passo por lá só porque sim.


E lamento que este texto não esteja escrito em forma de carta dirigida a ele. Mas está dirigida a vocês, sobre ele e sobre as saudades que eu sinto todos os dias do homem que me dizia que eu era a menina mais linda da Praia da Vieira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Essa coisa das ciumeiras

por Quadrada, Sábado, 16.02.13



Não percebo porque é que as raparigas acham tanta piada quando os namorados/amigos coloridos/whatever têm ciúmes. É claro que é sempre agradável saber que se importam e que têm um certo receio de nos perder, no entanto a verdade é que ninguém gosta de sentir ciúmes e eles não são excepção. Além de que o facto de acharem isso fofo não muda a parte de eles estarem pior que estragados connosco por causa de alguma coisa (porque sim, na grande maioria das vezes os ciúmes levam a discussão ou amuo). E depois fico muitas vezes com a sensação que, como as raparigas no geral acham fofo quando os namorados têm ciúmes, consequentemente pensam que eles também adoram quando uma gaja perde a compostura toda e desata aos berros feita peixeira, dá uma de stalker, faz ameaças a qualquer mamalhal que se aproxime deles nem que seja para perguntar as horas, e grita asneiredo de três em três segundos enquanto puxa os cabelos à outra e lhe chama tudo o que pode.

Em primeiro lugar, não, eles não gostam dessas cenas de ciúmes que revelam desequilíbrio emocional. Porque não, isso não é fofo. E não, eles não conseguem ver nisso uma demonstração de amor. Até porque sim, ficam ridículas. E sim, é feio ver gente à pancada por motivos tão parvos. E sim, eles ficam com vergonha de aparecer convosco na rua nos próximos três meses.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Vamos ser felizes?

por Quadrada, Sábado, 16.02.13

Autoria e outros dados (tags, etc)

15. Carta para a pessoa de quem sentes mais falta

por Quadrada, Sábado, 16.02.13

 

É, é do meu irmão mais pequenino. Não desfazendo de ninguém, quando fico muito tempo em Coimbra é dele que sinto mais falta. Talvez por isso lhe telefone quase todos os dias, assim só porque sim, nem que seja apenas para lhe perguntar como foi a escola. É melga, mas está sempre no meu coração.

Autoria e outros dados (tags, etc)

14. Carta para alguém de quem foste afastada

por Quadrada, Sábado, 16.02.13



Querida Maria,

 

Já não é a primeira carta que te escrevo aqui. Algures neste blog deve estar o primeiro texto que te dediquei, numa altura em que as coisas estavam ligeiramente diferentes daquilo que estão agora. Acho que é normal; o tempo passa, as pessoas crescem e, consequentemente, as coisas mudam. Mas se há coisa que nunca mudou é o facto de falar sempre em ti. Não são poucas as vezes em que me lembro de ti, da nossa infância, daquele ano de uma amizade realmente sincera e que teve que acabar quando te foste embora.

Foi horrível para mim ter de aceitar a ideia de voltares para Lisboa, mas tornou-se mais fácil pelo facto de me ter convencido que virias cá várias vezes e que poderia ir lá ter contigo de vez em quando. Mas não. Depois disso só te vi uma vez e a verdade é que já não foi a mesma coisa. As saudades estavam lá, ainda estão e aposto que estarão sempre, mas a magia estava esvaída. Talvez a inocência dos nossos 10 anos fosse o ingrediente chave para os nossos olhos brilharem sempre que nos víamos.

Mas, fosse como fosse, não houve um único ano nesta última década que não me lembrasse de ti. Eras a minha companheira de infância, tinhas tudo a ver comigo e a nossa amizade sabia-me a algo mágico. Já lá vão praticamente 11 anos e todos os 4 de Janeiro são passados comigo a lembrar-me que tens mais um ano de vida. Às vezes pergunto-me como estás, o que terá acontecido na tua vida, que coisas realizaste...mas, por estranho que pareça, ainda te imagino como eras no dia em que te foste embora: cabelo castanho comprido, olhos grandes e brilhantes, sorriso aberto e aquela camisola branca com as assinaturas de toda a gente. Só que a verdade é que já não tens 10 anos, tens 21. Já és uma mulher adulta, provavelmente namoras há algum tempo, ou até já estás para casar como muitas outras amigas minhas. Deves estar a acabar o curso, se é que te candidataste à Universidade, ou então estás a trabalhar nalgum lado. É, pode ter acontecido muita coisa...e tenho mesmo pena de não ter forma nenhuma de te contactar porque, acredita, sabia-me pela vida retomarmos as coisas onde elas pararam, nem que fosse para podermos ser outra vez aquelas duas meninas que ouviam as Atomic Kitten depois da escola e comiam pão com manteiga de amendoim como se não houvesse amanhã.

Espero que estejas bem e que um dia possamos reencontrar-nos por obra do destino.

Um beijo enorme!

 

Joana

Autoria e outros dados (tags, etc)